Filmes na Quarentena #2

Juliana Cristina
4 min readMay 2, 2020

Texto estranho com filmes esquisitos (nem sempre)

Pegue sua bebida e petisco preferidos, sente-se e não me deixe sozinha nessa sessão de filmes esquisitos (ou não) que tenho assistido durante a quarentena!

Se quiser conferir o primeiro filme que comentei no Medium, o link está aqui. Sem mais delongas, vamos ao que interessa!

The Post, 2017 (The Post — A Guerra Secreta)

The Post, 2017.

Esta semana eu e meu namorado estávamos naqueles longos minutos rolando pra cima e pra baixo o catálogo da Netflix tentando escolher um filme para assistirmos juntos, até que acabei me deparando com o The Post e voilà! Havíamos escolhido finalmente.

A temática do jornalismo (sempre fui curiosa nesse departamento, mas acabei indo para o mundo da linguística), Meryl Streep e Tom Hanks me fizeram escolher esse filme.

Algo pode dar errado aí?! Acredito que não. E depois ao final do filme, vi que foi dirigido pelo Spielberg. (Se você for no meu primeiro post, verá que ando meio away sobre cinema e premiações, portanto até o momento do filme, eu estava completamente por fora das indicações que ele recebeu)

Muito bem, The Post é um drama biográfico que se passa no início dos anos 1970, nos contando uma parte da história dos jornalistas do Washington Post quando eles tiveram acesso aos Pentagon Papers e o impasse entre publicar um Top Secret do governo estadunidense ou não.

Isto, porque dias antes de o jornal de Katharine receber estas páginas, o New York Times havia recebido uma proibição emitida pelo governo os impedindo de continuar a publicar os relatórios.

The Post, 2017.

O filme se desenrola a partir disto, o dilema entre publicar ou não os documentos dando continuidade ao trabalho do New York Times, colocando em risco o futuro do Washington Post e dos seus funcionários, ao revelar a história por trás do governo com a Guerra do Vietnam.

Caso você esteja um pouco mais por dentro da história dos EUA durante a guerra e o governo Nixon, talvez já saiba o final do filme.

Muito além do impasse entre publicar ou não estes documentos, o filme nos mostra um pedaço da história e da importância de “Kay”, Katharine Meyer Graham, nascida em 1917, e do editor Ben Bradley, nascido em 1921.

Katherine Graham e Ben Bradlee. Credit: BETTMANN

Kay foi a primeira mulher a comandar um grande jornal estadunidense. Ela dirigiu o jornal da sua família durante mais de 20 anos, ganhando o prêmio Pulitzer em 1998 com o seu livro de memórias. E Ben, trabalhou por 26 anos no Washington Post, ajudando o jornal a receber 17 prêmios Pulitzer ao longo de sua gestão.

Outra coisa que podemos notar no decorrer do longa, é o universo jornalístico da época (sendo mostrado detalhadamente através da direção e fotografia), que pretendia ser muito mais investigativo, no sentido de buscar nos informar realmente os feitos do governo, e levar as notícias mais a sério. Afinal de contas a decisão tomada por eles mudou para sempre a história do jornalismo nos Estados Unidos.

Talvez eu tenha prestado mais atenção nisso, observando os acontecimentos no Brasil ultimamente e nada sendo levado à sério por influencia do governo. Hoje em dia, que voz e poder têm nossos jornais aí na terra brasilis?!

Sem contar com a trama, acredito que através da história de Kay, podemos conhecer como era uma parte do universo feminino dentro daquele ambiente e daquela época.

O grupo de conselheiros, digamos assim, já trabalhava no jornal com seu falecido marido, e no desenrolar da trama, pude notar o desdém da parte deles às ideias e ideais que ela pontava, dizendo que ela não tinha conhecimento suficiente de como funcionava o jornal. Isto fica muito bem demonstrado também por meio da fotografia impecável do filme.

The Post, 2017.

Pouco a pouco ela começa a impor sua decisão, o que na época era ainda mais difícil do que nos dias atuais, e confrontar os motivos da sua equipe querer “baixar a bola” perante um caso tão sério assim.

Felizmente a decisão que ela tomou, ignorando a maior parte do conselho e alinhando seu pensamento junto ao de Ben, fez com que muita coisa fosse mudada ao longo da história do jornalismo investigativo.

Vou ficando por aqui, caso você esteja procurando um filme que fale sobre o poder, liberdade de impresa, cotidiano em um jornal, esta é uma ótima dica. Se você curtiu o Spotlight, com certeza vai adorar esse longa com uma direção, fotografia, enredo e atuação excelentes, recomendo :)

E você, já conhecia esse filme? O que achou? Deixe seu comentário para a gente trocar uma ideia.

Se chegou até aqui, obrigada pela sua leitura. Se gostou e quiser compartilhar, agradeço :)

Tenho outros textos aqui no Medium, se quiser conferir uns Pensamentos Soltos, clique aqui.
Pequenas reflexões sobre um olhar de Dublin em tempos de Corona, aqui.
Um breve artigo em italiano aqui.
E por fim, textos sobre corrida em inglês, aqui.

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Juliana Cristina

Runner, photographer and in love with words and languages - @run.julirun and @brasiland on Instagram.